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Escrever mal é mais importante que escrever bem

December 22nd, 2012  |  Published in Escrever, Últimas

Uma das maiores barreiras psicológicas de potenciais autores é o padrão pelo qual se regem. Não entendam mal, é necessário ter padrões elevados para melhorarmos as nossas capacidades, mas ninguém nasce mestre em nada. É preciso muito trabalho, disciplina e saber lidar com as nossas limitações.

Quem alguma vez tentou aprender um instrumento musical sabe que não dá para soar afinado e solto logo à primeira, são precisas muitas horas de exercícios para se atingir um nível aceitável, muitas mais para se estar acima da média e, mesmo para aqueles que se aplicam a fundo, poucos se tornam excepcionais. É preciso passar pelas hesitações, pelas dores nos dedos, pelo gozo de se estar a fazer música para actuar sem ofender os ouvidos de ninguém com a nossa música.

Com a escrita não é diferente. As palavras podem ser ordenadas de diferentes maneiras para se contar a mesma história, e ao longo da nossa aprendizagem como autores de slogans, livros, questionários, guiões, discursos, iremos fazê-lo de maneiras diferentes. E cada pessoa tem o seu estilo: ouçam duas pessoas diferentes a contar a mesma anedota. Elas contam essa história com palavras e registos físicos e tonais diferentes. Mas é a mesma história, contada à sua maneira. E o que queremos é passar a nossa canção, a nossa ideia.

Quando começamos a escrever normalmente é para imitar alguém mas mesmo que sejanmos muito bons nisso nunca passaremos de uma excelente imitação.Para se ter voz própria é necessário começar do zero, descobrir a dissonância que nos assenta melhor, fazer o que nos sai como nosso. Muitos de nós passam a vida a descobrir e a evoluir nas suas idiossincrasias e como autores é igual.

Por isso nenhum texto é perfeito à primeira: é uma pista, um bloco de pedra em bruto, ideal para se refazer, quebrar, polir na ideia que se tem, ou na nova que surge. Escrever é um processo de tentativa e erro, e é por isso que muitos falham: querem que saia tudo bem à primeira e “bem” para eles é um nível estratosférico.

Um actor passa meses a ensaiar um texto que só vai apresentar em cena durante alguams semanas. Sem esse trabalho longe do olhar do público ele não vai conseguir dar aquela actuação fantástica, o seu produto acabado.

O conselho que deixo aqui, fala da importância desse texto escrito para os olhos de ninguém. O mau texto, aquele que nunca será uma obra acabada. A diferença está muitas vezes em colocar as palavras no espaço em branco e voltar lá para as melhorar. As palavras reordenam-se, trocam-se por outras. Mas a ideia tem que estar lá.

Stay at your desk and simply write down that stupid sounding crap. Really. No matter how bad it is, just put it on the paper. The turtles of the Galapagos are really big turtles. They were almost extinct; now they are coming back. Darwin would be so freakin’ happy.Stupid? Of course. Don’t worry. No one but you will ever see this part. And you’ve now defeated The Demons Of The First Draft. You now have something to fix. And fixing things is way easier than making them up in the first place.

Write Badly, SelfPublishingReview.com

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